Balbi foi multicampeão e idolo pelo Flamengo (João Pires/LNB)
A idolatria da torcida por um jogador ocorre por diversos motivos: uma técnica apurada, uma personalidade magnética ou a compreensão do que ele representa quando veste a camisa. Neste último caso, podemos ter jogadores que não necessariamente têm a técnica mais refinada, ou mesmo apresentam falhas em seu jogo, mas que superam essas limitações para entregar o melhor de si ao clube.
O armador Franco Balbi é um desses jogadores que entendeu muito bem o que é ser Flamengo. O argentino, que se despediu pela segunda vez do time da Gávea, assinou com o Unión Basket. Por uma ironia do destino, pelo segundo ano seguido, a torcida do Flamengo se despede de um ídolo. Em 2024, foi Olivinha que saiu de cena.
Sua chegada, em 2018, foi uma das menos badaladas daquele inverno. O Flamengo havia acabado de contratar o técnico Gustavo de Conti e foi com ferocidade ao mercado. Trouxe nomes como Jhonatan Luz, Deryk Ramos e David Nesbitt (do Paulistano), Kevin Crescenzi e David Rossetto para se juntar a Olivinha, Anderson Varejão e Marquinhos — todos com o objetivo de vencer tudo. Balbi foi um dos últimos nomes anunciados para a posição que mais preocupava a torcida. Desde a saída, em 2015, de seu compatriota Nicolás Laprovíttola, o Flamengo passou a ter dores de cabeça com a posição de armador principal. Rafa Luz foi bem e estava na armação durante o título do NBB 2016, mas ficou apenas aquela temporada. O nome para comandar o time de 2018/19 era Rossetto, com Balbi como uma “garantia”. Foi com cestas decisivas contra o Franca na final de 2019 que Balbi conquistou de vez o coração dos rubro-negros. Se nas estatísticas os números nunca pareceram imponentes (menos de dois dígitos de média em pontos), o “Mago” parecia marcar os pontos que realmente valiam. Eram arremessos de três, bandejas nos momentos mais disputados e decisivos das partidas.
Multicampeão pelo Fla, Balbi se despediu discretamente, com boas atuações na semifinal contra o Franca. O carinho da torcida do Flamengo garante que seu desaparecimento não será um truque do Mago. Muchas gracias, Franco Balbi.
Conquistas
2x Campeão do NBB (2018-19 e 2020-21)
2x Campeão da Basketball Champions League Americas – BCLA (2020-21 e 2024-25)
3x Campeão da Copa Super 8 (2018, 2021 e 2025)
1x Campeão da Copa Intercontinental (2023)
3x Campeão do Campeonato Carioca (2018, 2019 e 2020)
Perfil do Jogador
Nome: Franco Nicolás Balbi Data de nascimento: 21/08/1989 Nacionalidade: Argentina Posição: Armador
Caiu o último dogma da NBA: um time formado por somente jogadores oriundos do draft é campeão da NBA. O Oklahoma City Thunder venceu o Indiana Pacers por 103 a 91 no decisivo jogo 7 das Finais da NBA e é, pela primeira vez, campeão da NBA.
Antes de qualquer coisa, essa final fica marcada pela lesão de Tyrese Haliburton. O astro do Indiana Pacers já vinha sofrendo com uma lesão na panturrilha e, logo no primeiro período, desabou de dor após sentir a lesão. O jogador caiu no chão já com lágrimas nos olhos e parecia que o destino do Indiana estava decidido.
Só que estamos falando de um Indiana Pacers resiliente e raçudo. Isso passa por esse grupo do Pacers. Em uma NBA ultra-competitiva, o elenco do Indiana sabe que não existe amanhã mais na liga. Ou você vence agora ou não vence mais. E foi com esse espírito que eles conseguiram ir para o intervalo com a vantagem mínima, 48 a 47.
Foi no terceiro período que o Thunder começou a decidir o jogo utilizando a sua arma mais letal: a defesa. A diferença final é gritante. O Thunder teve apenas 7 desperdícios de bola, enquanto o Pacers teve absurdos 21 pontos. Se não fosse TJ McConnell com 10 pontos no período, o estrago seria maior para o Pacers. O quarto período foi terrível de se assistir, mas valeu pela voluntariedade dos times. Com 31 segundos, o técnico do Thunder, Mark Daigneault, tirou o MVP Shai Gilgeous-Alexander e Jalen Williams para receberem os aplausos.
O Thunder é uma mudança importante de paradigma em uma era da NBA que preza pelas mudanças. O time teve chances de vitória com Kevin Durant, Russell Westbrook, James Harden e, mais tarde, com Westbrook e Paul George. Quando viu que não iria a lugar algum, soube se reconstruir com certa elegância. A jogada de gênio do GM Sam Presti começa com a troca de Paul George para o Clippers por Shai Gilgeous-Alexander. Além disso, o Thunder aceitou todo e qualquer contrato de veteranos considerados ruins para dar experiência ao seu elenco. Foi assim que Shai teve mentoria de craques como Chris Paul e Al Horford. Sempre com escolhas altas, Presti soube escolher e dispensar talentos (Josh Giddey, olá). Com a chegada definitiva do pick 2, Chet Holmgren, depois de um ano parado por lesão, o Thunder passou a ser considerado seriamente como candidato ao título. O já mencionado Giddey ajudou a trazer o veterano Alex Caruso do Bulls para ajudar a fechar mais ainda a defesa do time.
Sem um superstar e muita frieza, o Thunder conseguiu o que Durant (trocado hoje melancolicamente pelo Suns para o Rockets) não conseguiu. Para a torcida de Oklahoma, foi um alívio. O medo era que o time repetisse os erros de 2011/12, quando viu James Harden sair por questões salariais. O futuro não repetiu o passado. Ainda bem.
Parabéns ao Thunder e que venha logo a temporada 2025/2026.
O sonho de todo torcedor de basquete acontece neste domingo (22), a partir das 21h: um jogo 7 nas finais da NBA!
O Indiana Pacers colocou em prática seu insano estilo de jogo — o já famoso basquete aleatório — no jogo 6 e venceu com autoridade o Oklahoma City Thunder por 108 a 91, forçando a partida decisiva.
O mundo olhava para outro jogo… Como era esperado, o grande público estava ligado na histórica partida entre PSG e Botafogo, válida pelo Mundial de Clubes da FIFA. Com isso, muita gente nem entendeu o que aconteceu em Indiana.
O jogo 6 das finais da NBA começou meia hora antes da partida do Botafogo. No primeiro quarto, houve certa paridade entre as equipes. Mas foi no segundo período que o Pacers resolveu “ligar o turbo” e praticamente decidiu a partida.
A jogada que simboliza esse domínio foi a enterrada de Pascal Siakam, o ponto alto do tão comentado basquete aleatório da equipe de Indiana.
🎥 Assista aos melhores momentos
O que é o “basquete aleatório”? A expressão foi usada pelo técnico Rick Carlisle, do Pacers, durante uma coletiva de imprensa. Quando o time alia imprevisibilidade ao vigor físico, nasce o “random basketball”, ou simplesmente, basquete aleatório.
E foi justamente com essa intensidade que o Indiana cansou o MVP Shai Gilgeous-Alexander, que cometeu 8 desperdícios de bola. O Thunder, conhecido por pressionar seus adversários, acabou provando do próprio veneno: foram 21 desperdícios forçados pelo Pacers, convertidos em pontos de forma implacável.
Herói da superação: Tyrese Haliburton Outro nome fundamental foi Tyrese Haliburton. O armador jogou mesmo com uma lesão na panturrilha — que, em condições normais, o afastaria por semanas. Mesmo assim, foi para o jogo.
Mais importante do que os seus 14 pontos e 4 assistências, foi o recado que ele passou: esse time do Indiana quer esse título. E está disposto a tudo por ele.
O que esperar do jogo 7? A decisão será em Oklahoma City, onde o Thunder conta com sua barulhenta e apaixonada torcida. Já o Indiana Pacers chega embalado, com a vantagem psicológica e querendo provar ao mundo que todos estavam errados ao duvidar do time.
Jogo 7 é sinônimo de emoção, incerteza e paixão. É o tipo de final que a NBA precisava.
Guia da Final Indiana Pacers x Oklahoma City Thunder – NBA Finals – Jogo 7 📺 Transmissão: ESPN, Band e NBA League Pass 🕘 Horário: 21h00 (Brasília) 📍 Local: Paycom Center, Oklahoma City
Depois de quase 20 anos de NBB, já dá para dizer que temos algumas “eras” definidas. A primeira entre 2008 e 2013 foi a era pós-CBB, a segunda entre 2014 e 2018 surgiram os supertimes, de 2018 até 2021 tivemos a consolidação do supertécnico e de 2022 até agora a era Franca. Entre todas elas, o Flamengo sempre foi um protagonista. A questão que aflige a torcida do Flamengo é que desde 2021, o time não conta com os maiores jogadores do Brasil.
Ter os melhores dos melhores era uma dos ingredientes da “fórmula” que fez do Flamengo o time da década passada. Isso permitiu que o time de José Neto fosse uma dinastia que venceu o NBB nos anos de 2012 a 2016 e depois com Gustavo de Conti em 2019. Não faltaram adversários fortes. O Flamengo venceu supertimes como o de Bauru em 2014 contando em seu elenco, astros como Marcelinho, Marquinhos e Laprovitta.
Não me levem a mal. Não é como se o rubro-negro não tido e não tenha um elenco forte. Afinal, o Flamengo teve nos últimos tempos jogadores fantásticos como Vildoza, Gabriel Jaú e falando do elenco atual, craques como Gui Deodato, Ruan Miranda e Alexey, mas ter em quadra 3 jogadores da seleção, hoje, o Flamengo não tem. E isso faz a diferença.
Isso ficou claro na dura derrota contra Franca ocorrida no jogo 5, no último dia 3 de junho pelo NBB 24/25. O Flamengo lutou até o final, quando levou o jogo para a prorrogação, mas o trio de Lucas Dias, Georginho e Didi. Os tres foram diretamente responsáveis pelo triunfo sobre o Flamengo. Foi por pouco, mas ocorreu.
Didi foi o mais constante durante todo o playoff. O ex-rubro-negro teve média de 20 pontos nos 5 jogos da série, com destaque aos 29 pontos no jogo 4. Mais que pontuar, Didi mostrou maturidade durante a série inteira. Um exemplo foi um lance no complicado jogo 5 em que foi para a cesta, levou um tapa sem querer do defensor do Flamengo, converteu a cesta e não teve falta marcada. O banco de Franca enlouqueceu e o jogador sinalizou calmamente a seu banco que estava tudo bem e iria seguir em frente. Nada de falta técnica e descompasso emocional. Sobre Lucas Dias não tem muito mais o que dizer do melhor jogador em atividade no Brasil. Mesmo quando Lucas não está nos seus melhores dias, o jogador conhece os caminhos da vitória e foi novamente decisivo no jogo 5 com seus 27 pontos. Já Georginho chega ser covardia o kit de ferramentas do jogador.
A boa notícia para a torcida do Flamengo tem nome e sobrenome: Sérgio Hernandez. O técnico argentino chegou em fevereiro e já conseguiu resultados importantes como a vitória na BCLA. “Tenho muito orgulho desse time” disse “Oveja” no final do jogo 5. Agora, com tempo e principalmente com a possibilidade de encontrar um belo orçamento, o Flamengo de Oveja pode ir ao mercado e buscar peças complementares para que esse protagonismo seja convertido em campeonatos
O jogo 1 entre Flamengo e Franca foi um jogaço (Marcos Limonti / SFB)
Que Minas e Bauru me perdoem, mas a final do NBB deste ano será a semifinal entre Flamengo e Franca. Se essa já era a impressão antes da bola subir para o jogo 1, ela se confirmou depois de assistirmos a um dos melhores jogos da temporada do NBB.
O Flamengo foi ao Pedrocão e venceu com autoridade o Franca por 107 (!!!) a 93. Novamente, aplausos para o armador Alexey Borges pelo que fez dentro e fora de quadra. Em quadra, Borges anotou 17 pontos, distribuiu 10 assistências e manteve a intensidade da equipe durante toda a partida. Fora dela, concedeu uma excelente entrevista na virada do primeiro para o segundo tempo. O repórter da transmissão tentou minimizar os insultos direcionados ao jogador pela torcida francana, mas Alexey foi claro e preciso ao afirmar que “alguns passam do limite”. Isso não é um problema localizado em Franca — é sistêmico em todos os ginásios do NBB. A Liga Nacional de Basquete fez um trabalho primoroso ao criar o Tratado Antirracista. Não estaria na hora de uma nova campanha focada na conduta de quem frequenta os ginásios? Fica a pergunta…
Shaq Johnson Sr. foi o cestinha (Marcos Limonti / SFB)
Voltando ao jogo: novamente, o Flamengo jogou melhor fora de seus domínios. A equipe do técnico Sérgio Hernández teve assombrosos 59% de aproveitamento nos arremessos de quadra (21/36), 55% (!!!) nas bolas de três pontos (17/31) e 82% nos lances livres. Franca não ficou muito atrás, com 64% nos arremessos de quadra, mas os 35% de aproveitamento nas bolas de três prejudicaram o time. Chega a ser estranho ver uma equipe com esse desempenho perder uma partida — o que mostra a dimensão da assertividade rubro-negra.
Deu tudo certo para o Fla. Shaq Johnson Sr. continuou sendo o jogador mais constante nos playoffs e liderou a pontuação da partida com 21 pontos. Ruan fez um ótimo jogo como pivô e deitou e bailou no pick and roll com Alexey ou Balbi. A cereja do bolo foi a atuação em modo BCLA do ala Kayo Gonçalves: 12 dos seus 17 pontos vieram no quarto e decisivo período, com um aproveitamento absurdo — 4 em 4 nas bolas de três pontos. O Flamengo e, especialmente, o jogador, precisavam dessa injeção de ânimo.
Ânimo, aliás, é o que parece faltar ao tricampeão Franca. Ainda é muito cedo na série, mas aquele Franca que vibrava e se reinventava parece uma lembrança distante. Lucas Dias, com discretos 11 pontos, precisa entrar na série para o time voltar à final. Didi foi o cestinha com 18 pontos, seguido por Corvalán (16) e David Jackson (13).
Agora a série vem para o Rio de Janeiro. Os jogos 2 e 3 serão disputados no Tijuca Tênis Clube, na terça-feira, 27 de maio, e na quinta-feira, 29 de maio. Vamos ver como os times irão se comportar. Será que o Flamengo vai novamente “presentear” sua torcida com uma atuação abaixo da expectativa? Será que o Franca vai reencontrar a intensidade e o ânimo que parecem perdidos? Saberemos na terça.
Gui Deodato foi uma das chaves da vitória do Flamengo sobre o Corinthians (crédito: Beto Miller)
Flamengo, você troca a vitória no jogo 4 e uma semana de descanso por um complicado jogo 5, cercado de pressão?” Para alívio da torcida rubro-negra, a resposta foi: “Não!” Em jogo disputado no domingo, 18 de maio, às 10 da manhã (?!?!), o Flamengo venceu o Corinthians por 80 a 78, fez 3 a 1 na série e avançou para as semifinais do NBB 24/25.
Como na brincadeira matutina de Silvio Santos, foi com emoção que o Flamengo passou. Como tem sido hábito nestes playoffs, o time de Sérgio Hernández teve uma excelente atuação fora de casa. Corrigindo: excelente nos dois primeiros períodos (24 a 23 no primeiro e 24 a 15 no segundo). Com Gui Deodato bem nessa parte do jogo (fez 14 dos seus 18 pontos), o Flamengo foi para o intervalo vencendo por 16 pontos.
O Corinthians, que vinha fazendo um playoff muito bom, sentiu demais no segundo quarto e saiu para o intervalo com nuvens nebulosas sobre a cabeça. O cenário realmente não era bom para o Timão. A defesa do Flamengo limitou o time a 15 pontos no segundo quarto, e Elinho, seu principal jogador, teve uma manhã complicada (2/8 nos arremessos de quadra e 0/3 nas bolas de três).
Bastou o Alvinegro aumentar a intensidade para que o volume de ataque do Flamengo desaparecesse — e com ele, a vantagem de 16 pontos. Os quase 1.800 torcedores presentes no ginásio Wlamir Marques foram à loucura.
Alexey marcou a cesta que decretou a vitória do Fla (crédito: Beto Miller)
Quando o jogo chegou aos finalmentes e o aro ficou pequeno, o Flamengo entregou a bola ao seu melhor jogador: Alexey Borges. Após atuações bem abaixo nos jogos 2 e 3 — incluindo um jogo 2 em que saiu zerado —, o armador resolveu a partida com mais uma bela penetração, marcando a cesta que decretou o placar final de 80 a 78 e carimbou a passagem para as semifinais.
Até o momento, Brite, do Bauru, é o nome mais cotado para MVP da temporada. Faz sentido, pela constância do armador. Mas, desde que Alexey superou as lesões que o incomodaram no começo da temporada e do Super 8, o armador do Flamengo merece estar nessa conversa.
Sobre o Corinthians, o time precisa dar um descanso a Elinho. Ele é o motor da equipe, mas precisa respirar durante as partidas — e o elenco não conta com outro jogador capaz de manter o ritmo quando ele sai de quadra. Outro ponto importante: times de camisa precisam de um grande momento para consolidar um projeto de basquete. O Botafogo tem a Sul-Americana e o quarto lugar de 2019; o São Paulo tem a BCLA, o Super 8 e o time de Caboclo e Marquinhos em 2021. E o Corinthians? Se vencesse hoje e a série, o Timão estaria entre os quatro primeiros, com vaga na Sul-Americana ou na BCLA, e ainda teria uma vitória sobre o Fla para “levar” para a próxima temporada. Arrisco dizer: até o Corinthians ter esse momento, o projeto não vai empolgar. Está no caminho certo com a boa comissão técnica de Jece Leite. Falta pouco — mas paciência é um luxo que time de camisa não tem.
No oscilante Flamengo, a boa notícia é a consistente participação de Shaq Johnson Sr. Ele teve média de 15,5 pontos na série contra o Corinthians — fundamentais para essa passagem à semifinal.
Já na outra partida do dia, o Franca ouviu a mesma proposta do “Silvio” e mandou um sonoro “SIM”. O campeão do NBB tropeça nas suas cansadas pernas e perde o jogo 4 para o Pinheiros por 72 a 66. Os francanos decidem em casa o jogo 5, mas… não sei, não…
Destaques do Flamengo: Alexey – 15 pontos / 6 assistências
Da área de imprensa, lá estava eu prestando atenção no que Marquinhos iria fazer
O jogo era decisivo contra o Minas. O ano: 2018. O Flamengo tinha em seu elenco estrelas como Anderson Varejão e Marcelinho. O Minas foi melhor o jogo inteiro e tinha a vitória nas mãos. Foi aí que nosso personagem mostrou toda a sua classe em quadra. Depois de decretar a prorrogação ao acertar os 2 lances-livres decisivos, marcou 12 pontos no tempo extra. Era hipnótico ver o camisa 11 marcar com arremessos certeiros e infiltrações que desafiavam a lógica. Até os últimos dois minutos de jogo, eram apenas 5 pontos. Ele fechou com 21 e vitória para o seu Flamengo. Estava na área de imprensa da Arena Carioca 2 vendo de perto Marcus Vinícius Vieira de Sousa, o Marquinhos, mostrar em quadra porque ele é um dos gigante do basquete nacional.
Hoje, 14 de maio de 2025, após a derrota seu último time, o Vasco da Gama, no jogo 3 contra o Minas pelas quartas de finais do NBB, Marquinhos se aposenta aos 40 anos como um dos maiores alas do basquete brasileiro. Carioca de nascença, Marquinhos se mudou para São Paulo aos 9 anos com a troca de emprego do pai. Aos 12, começou a jogar a basquete. Começou na categoria infantil do Monte Líbano, mas com o fim das atividades do clube passou para base do Corinthians. Em 2002, recebeu um convite para o Bauru onde conheceu Leandrinho e fez parte do time que foi campeão brasileiro daquele ano. Apesar dos convites de faculdades americanas, em 2003, preferiu ir para a Europa onde jogou no Pesaro. Foram diversas idas e vindas com o clube Europeu, intercalada com períodos que foi emprestado para o Vasco (2003), Corinthians/Mogi das Cruzes(2004) e por fim, o clube Italiano, o Sutor Montegranaro. Em 2005/2006, o Pesaro passava por uma grave crise financeira e Marquinhos fechou com o São Carlos.
Em 2006, após realizar todo período de preparação para o draft da NBA, foi selecionado pelo New Orleans Hornets. Como é atualmente, não era uma boa época para o Hornets. Nem na Louisiana, o time jogava. Devido ao furacão Katrina, o time jogava em Oklahoma City. No comando do basquete a situação também não era boa. O time não era o melhor lugar para desenvolver jogadores jovens e aposta em veteranos para ajudar o astro Chris Paul. Nesta leva, o time contrata Peja Stojaković para a posição de Marquinhos. Na temporada 2007/2008 foi trocado para o Memphis Grizzilies Frustrado com pouco tempo em quadra e a troca para o Memphis, assina com o Pinheiros em 2008.
Aqui começa a história de Marquinhos e o NBB. Assim como o jogador que procurava uma plataforma para desfilar os seus talentos, o recém-nascido NBB precisava de talentos como Marquinhos para mostrar que o basquete brasileiro estava vivo. Em 2012, ao chegar no Flamengo, o camisa 11 (em homenagem a Romário) decolou. Nos 9 anos que jogou no Rubro-negro venceu 3 premios de MVP (2013/2016/2019), 6 vezes campeão do NBB (2013-2016 e 2019), a Liga das Americas e o Mundial em 2014. Não só venceu, como foi o protagonista na década rubro-negra do NBB.
Sua saída do Rubro-negro em 2021 foi conturbada com atritos com o técnico Gustavo de Conti e uma rusga com a diretoria. O que era uma má notícia para o Flamengo, foi uma ótima notícia para o São Paulo. O jovem projeto de basquete do tricolor paulista ganhava não só um craque como Marquinhos, como um torcedor apaixonado.
Durante muito tempo, vi Marquinhos jogar pelo Flamengo. Vi momentos em que o jogador realmente não parecia feliz como na Sul-Americana de 2016 e vi momentos de felicidade como a virada contra o Instituto Cordoba em 2020. Agora, ver uma felicidade pueril, quase de uma criança, só vi quando Marquinhos conseguiu, vestindo a camisa do São Paulo, levar o tricolor para o título da BCLA. Era um misto de felicidade junto com um “não acredito” que a vida tomou esse rumo. A felicidade em estado puro. Além do Bauru de 2002, do Flamengo de 2012 a 2021, aquele time do São Paulo 2021 com Caboclo, Bennett era mais um time iconico do craque.
No Vasco, sua última passagem, trouxe legitimidade ao projeto de basquete do Cruzmaltino. Sua passagem “acelerou” o processo de maturidade do projeto e deixou sementes que esperamos ser colhidas por muito tempo no basquete vascaíno.
O duro para o basquete nacional é que não existe um novo Marquinhos. Nem de perto. Em quadra, não temos um ala pontuador e decisivo e fora dela, não temos um talento nascente que possa ser o próximo nesta linhagem de grandes alas.
O engraçado de quem acompanha basquete é que você passa grande parte do seu tempo, dias, meses, anos, acompanhando pessoas que não necessariamente são da sua família ou mesmo tem relações de amizade. Vai ser estranho não ter Marquinhos em quadra pelo NBB. Ele é tão parte intrínseca do campeonato. Ele é parte pelas suas cestas, pelas reclamações da arbitragem, pelos lance-livres milimetricamente batidos após os dois pequenos beijos nos pulsos. O que mais sentirei falta é quando uma partida estiver complicada e a bola sobrar para o camisa 11 fazer aquele arremesso perfeito de 3 pontos, olhar para o lado e falar em uníssono com meus companheiros de cobertura: Marquinhos joga para c*****!
Os playoffs do NBB estão prestes a começar, e aqui no Nas Quadras não poderíamos deixar passar batido esse momento decisivo da temporada. Para comentar os confrontos, recebi no nosso podcast o Gabriel Barros, do perfil Basquete Pelo Mundo (https://www.instagram.com/basquete_pelomundo/). Juntos, analisamos os destaques, as decepções e, claro, projetamos o que vem por aí no mata-mata. Confira aqui
Um formato simples e direto
O NBB tem uma fórmula acessível: 18 equipes disputam a temporada regular, e 16 se classificam para os playoffs. O primeiro enfrenta o 16º, o segundo pega o 15º, e assim por diante. A expectativa, como sempre, é de muita emoção — mesmo com alguns confrontos aparentemente desequilibrados.
O Botafogo de Matheusinho ficou fora dos playoffs (CRÉDITO DA FOTO: @Foto_WallaceLima / BFR)
Infelizmente para o basquete carioca, o Botafogo (17º) ficou de fora da fase final. A dura verdade é que o Botafogo se desclassificou em janeiro, com derrotas para Caxias, União Corinthians e Unifacisa. Foi uma temporada de poucos momentos de brilho para o alvinegro, que agora observa de fora a reta final. Sinal amarelo para o time alvinegro.
Surpresas e decepções da temporada regular
Tivemos duas boas surpresas do campeonato: Brasília e União Corinthians. Comandado por Dedé Barbosa, o Brasília foi além das expectativas e terminou em quarto lugar geral. Ponto para o competente técnico Dedé e coordenador Fúlvio. Já o União Corinthians começou bem, mas caiu de rendimento. Apesar disso, devido aos chaveamentos, são equipes que podem surpreender na pós-temporada.O Brasília (4º) joga com o São Paulo(13º) e o União Corinthians (7º) com o Corinthians(10º)
O São Paulo de Ricardo Fischer teve uma temporada atibulada
No outro extremo, os times de “camisa” decepcionaram. Tirando o Flamengo, times de camisa como São Paulo (13º), Fortaleza(18º), Vasco(8º) e o próprio Corinthians(10º) não corresponderam. O São Paulo, por exemplo, começou bem, mas sofreu com lesões (como as de Fischer, Coelho e Faverani) e terminou a temporada em crise, com a saída do técnico Guerrinha.
O Vasco, que vinha de um quarto lugar na temporada passada, terminou em oitavo após uma campanha marcada por altos e baixos, com vitórias inesperadas (como contra o Minas) e tropeços improváveis (como contra o Mogi).
Séries para ficar de olho
Minas X Mogi: o favorito que ainda precisa provar
Líder da temporada regular, o Minas enfrentará o Mogi, 16º colocado. Em teoria, um confronto fácil. Mas, como lembrou Gabriel, “basquete é basquete” — se o Minas vacilar, pode sim perder jogo. Ainda assim, é o favorito disparado.
O questionamento é se o Minas conseguirá transformar o domínio da temporada regular em título. A equipe já bateu na trave em outras competições: foi vice no Super 8 e caiu nas quartas da BCLA. E mais uma vez, paira no ar o rumor: será esse o último ano do técnico Léo Costa?
Palpite da mesa: Minas 3 x0
Franca X Pato Basquete: clima estranho e pressão por resultado
O atual tricampeão Franca não vive seu melhor momento. Apesar de ter terminado em 3º, o time começou mal a temporada, sofreu derrotas pesadas (inclusive para o Flamengo na BCLA) e convive com um clima interno estranho.
Lucas Dias, principal nome da equipe, deu uma entrevista forte à Globo após a derrota na semifinal da BCLA: “Foi uma vergonha”. No mesmo jogo, o nervosismo da equipe ficou evidente — Lucas chegou a se irritar com uma jogada individual do Georginho, pedindo a bola desesperadamente.
Nos bastidores, o silêncio dos jogadores pós-jogo chamou atenção. Saíram rapidamente, evitando entrevistas. Apenas Didi e Wesley, com vínculos pessoais no Rio de Janeiro, falaram com a imprensa.
A saída de Jhonatan, líder silencioso dentro e fora de quadra, pode ter pesado mais do que o esperado. O Franca ainda tem elenco para chegar longe, mas precisa virar a chave — como fez no ano passado, após uma vitória sobre o Brasília, que mudou o rumo da temporada.
Falando um pouco do Pato Basquete, jogando em casa, no ginásio em Pato Branco, o time costuma crescer. A torcida próxima da quadra e o clima quase de caldeirão fazem do Pato um adversário duro, mesmo para gigantes como Franca.
Palpite da mesa: Franca 3 x 1
Cariocas nos Playoffs
Vasco x São José: duelo equilibrado e a despedida de Marquinhos
O Vasco conta com Marquinhos para os playoffs (Andrews Clayton/Bauru Basket)
O Vasco terminou a temporada regular em oitavo lugar e vai enfrentar o São José, nono colocado. Ou seja, confronto direto, equilibrado, que tem tudo para ir longe na série. O São José é treinado por Régis Marrelli, um dos grandes nomes da beira da quadra no Brasil.
Porém, todo o foco está em Marquinhos. O ala do Vasco está em sua “turnê de despedida”, o que gera uma pressão extra. O discurso é sempre de que jogador profissional tem que lidar com isso, mas na prática, é diferente. Cada jogo pode ser o último, e isso mexe com o emocional do elenco.
Se Paulichi, um dos principais nomes do time, não entrega sua média de pontos, por exemplo, será que ele pode sentir o peso de não ter ajudado a manter o ídolo em quadra por mais uma rodada. O mesmo vale para o Jamaal, que tem experiência, mas vem jogando no sacrifício após uma pancada no joelho.
Outro fator importante é o técnico Léo Figueiró. Ele costuma blindar o elenco, tenta manter a calma do grupo, mas sabe que esse clima da despedida pode virar tanto motivação quanto obstáculo.
Além disso, o chaveamento não ajudou. Se passarem pelo São José, o próximo adversário é o Minas — uma das potências da liga. Em compensação, o cruzamento com o Flamengo foi evitado, o que é sempre um alívio para o Vasco, principalmente por conta da pressão externa que uma derrota para o rival sempre gera dentro do clube.
O projeto do basquete vascaíno está em um ponto de virada. Com a aposentadoria do Marquinhos, os playoffs deste ano devem dar pistas do que esperar do time em 2025 e 2026.
Palpite da mesa: Vasco 3 x2
Flamengo x Caxias: um favorito sem pressão
De um lado, um time veterano com bons nomes e muita experiência, como Shamell, Larry Taylor e Betinho. Do outro, o campeão da BCLA, campeão do Super 8, e um dos times que encontrou uma leveza neste momento do campeonato: o Flamengo.
Jhonatan e Alexey são uns dos líderes deste “novo” Fla (Hermes de Paula / CRF)
Os destaques são muitos: Gui Deodato está voando, até nas bolas contestadas. Jordan Williams e Shaq Johnson melhoraram muito na defesa. E Alexey… que fase! O armador, que já era bom, cresceu de forma absurda na segunda metade da temporada. MVP da BCLA, peça fundamental, leitura de jogo refinada, e agora até as bolas de três estão caindo.
O que mudou? A leveza. O time está mais solto, sem a pressão que rondava o projeto. Ganhar a BCLA tirou um peso enorme das costas da equipe e do clube. Hoje, o Flamengo joga por desejo, não por obrigação — o que torna o time ainda mais perigoso.
Palpite: Flamengo 3×0
📅 Confira as datas, horários e transmissões de cada série:
🏀 KTO/Minas (1º) x Desk Manager Mogi Basquete (16º)
Jogo 1: 26/04 (Sábado), 18h – Prof. Hugo Ramos 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 2: 29/04 (Terça), 19h – Arena UniBH 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 3: 01/05 (Quinta), 18h – Arena UniBH 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 4 (se necessário): 04/05 (Domingo), 11h – Prof. Hugo Ramos 📺 A definir
Jogo 5 (se necessário): 07/05 (Quarta), 19h – Arena UniBH 📺 A definir
🏀 R10 Score Vasco da Gama (8º) x São José (9º)
Jogo 1: 23/04 (Quarta), 19h30 – Farma Conde Arena 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 2: 26/04 (Sábado), 17h – São Januário 📺 TV Cultura, YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 3: 28/04 (Segunda), 19h30 – São Januário 📺 UOL, YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 4 (se necessário): 02/05 (Sexta), 19h30 – Farma Conde Arena 📺 A definir
Jogo 5 (se necessário): 05/05 (Segunda), 19h30 – São Januário 📺 A definir
🏀 CAIXA/Brasília (4º) x São Paulo (13º)
Jogo 1: 24/04 (Quinta), 20h – MorumBis 📺 Dois Por Cento TV, NBB BasquetPass
Jogo 2: 28/04 (Segunda), 20h – Arena BRB/Nilson Nelson 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 3: 30/04 (Quarta), 20h – Arena BRB/Nilson Nelson 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 4 (se necessário): 03/05 (Sábado), horário a definir – MorumBis
Jogo 5 (se necessário): 06/05 (Terça), 20h – Arena BRB/Nilson Nelson 📺 A definir
🏀 Bauru Basket (5º) x Paulistano/CORPe (12º)
Jogo 1: 22/04 (Terça), 20h15 – Gin. Antonio Prado Jr. 📺 ESPN
Jogo 2: 25/04 (Sexta), 19h30 – Panela de Pressão 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 3: 27/04 (Domingo), 18h – Panela de Pressão 📺 YouTube do NBB, NBB BasquetPass
Jogo 4 (se necessário): 30/04 (Quarta), 19h30 – Gin. Antonio Prado Jr.
Jogo 5 (se necessário): 03/05 (Sábado), 18h – Panela de Pressão 📺 A definir
🏀 Flamengo (2º) x Caxias do Sul (15º)
Jogo 1: 23/04 (Quarta), 20h30 – Ginásio do Sesi 📺 Sportv
Jogo 2: 27/04 (Domingo), 11h – Tijuca TC 📺 Sportv
Jogo 3: 29/04 (Terça), 20h – Tijuca TC 📺 Sportv
Jogo 4 (se necessário): 02/05 (Sexta), 20h – Ginásio do Sesi